
Já não é tão fácil encontrar o verde e amarelo na rua 25 de Março. Com a baixa procura dos torcedores após a eliminação do Brasil diante da Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo, muitos comerciantes já recolheram camisas, bandeiras e outros itens relacionados ao tema. As bancas que ainda exibem esses produtos tiveram de baixar os preços.
O autônomo Waldir Soares foi à região em busca de uma camisa azul da seleção. "É para dar de presente. Vou aproveitar o desconto", revelou.
O ambulante Anderson Marinho, por exemplo, vendia uma camisa da seleção por R$ 120. Agora, está sofrendo para encontrar clientes dispostos a pagar R$ 40 pela peça. O kit torcedor, com bandeira, óculos, corneta e outros itens, encalhou.
"A gente vai ter que mandar esses produtos para o estoque e pegar outras mercadorias para colocar na banca e voltar a vender. Só o que tem procura ainda são as figurinhas", disse.
Segundo a União dos Lojistas da Rua 25 de Março e Adjacências (Univinco25), as perdas com a eliminação do Brasil não foram tão significativas, já que, antes mesmo da competição, foi registrado um aumento de aproximadamente 12% nas vendas. O período coincidiu com as festas juninas, uma época de grande importância para o comércio da região.
"Muitos lojistas tiveram um desempenho positivo antes mesmo do início dos jogos e, naturalmente, a expectativa era de que, a cada avanço da Seleção Brasileira, as vendas fossem ainda mais impulsionadas", explicou a diretora-executiva da Univinco25, Claudia Urias.
Ainda de acordo com Urias, os produtos que permaneceram em estoque já estão sendo comercializados em ações promocionais e queimas de estoque, mantendo boa saída. Além disso, parte da mercadoria poderá ser aproveitada em futuras campanhas e também na Copa do Mundo Feminina do próximo ano.
Esperto foi o comerciante José Luiz Nascimento. Com 15 anos de experiência no comércio popular e também receoso da seleção norueguesa — principalmente do atacante Erling Haaland, que marcou dois gols e acabou com o sonho do hexa —, ele se antecipou.
"Eu vendi camisas que custavam 150 reais por 80 aqui no sábado antes do jogo. Vendeu demais. Teve muita procura", explicou. Agora, o que sobrou ficará para a eleição.
"Muita gente usa o verde e amarelo nesse período", lembra Nascimento.