O percussionista Rubens Celso Lopes Filho tem apenas 22 anos e, apesar da pouca idade, vem dedicando praticamente toda a sua vida à música, principalmente a erudita. E toda esta dedicação deu frutos este mês ao ser o primeiro percussionista brasileiro a entrar no Conservatório de Paris, uma das instituições de ensino de música mais renomadas do mundo.
Nascido em Estrela D’Oeste (SP), ele começou tocando piano aos 8 anos. Mais tarde, ao frequentar a igreja com a mãe, passou a tocar bateria. A família dele teve de se mudar para Fernandópolis (SP), cidade próxima a Estrela D´Oeste, e lá passou a integrar a Orquestra de Sopros da cidade, onde começou a estudar bateria e percussão.
Com isso ele foi crescendo e viu na música uma paixão que se tornou profissão. “É uma profissão complicada, até porque não minha área não é a popular, mas a erudita. Se for para ficar no Brasil é trabalhar em orquestra ou dar aula. Minha ideia é ficar no conservatório para conseguir evoluir na minha área”, afirma.
Rubens se formou na escola de música da Unesp, onde integrou o Grupo Piap (de Percussão do Instituto de Artes do Planalto). Atualmente é um dos destaques da Orquestra Jovem do Estado, tocando vários instrumentos de percussão, com um carinho especial para a caixa clara.
Para conseguir entrar no mestrado do conservatório em Paris, Lopes fez uma prova escrita em março deste ano, além de ter de tocar por 20 minutos para um corpo de professores. Segundo Lopes, é comum nesta idade o conservatório aceitar mais alunos que fizeram bacharelado no próprio conservatório. “É muito difícil gente do Brasil entrar. Acho que sou o primeiro em percussão para o mestrado. Além de mim acho que já participaram dois pianistas e um flautista do Brasil”, diz.
Ao todo, competiram para entrar no mestrado parisiense, segundo Lopes, 40 candidatos, mas não tendo um número certo de vagas. O percussionista teve de passar por diversas eliminatórias para conseguir entrar no mestrado, que terá duração de dois anos. “Era meu sonho entrar neste conservatório, sabia das dificuldades que iria enfrentar. Mas creio que para mim, que sou do Brasil e não temos muito contato com isso, vai ser um aprendizado muito grande”, afirma.
Todo o mestrado no conservatório de Paris será bancado pela própria escola e Lopes só terá como despesa o alojamento onde irá morar, além das outras despesas como alimentação, transporte. Sem condições de bancar os gastos, foi aí que o destino resolver dar uma ajuda. Lopes também foi o vencedor da 1ª edição do prêmio Ernani de Almeida Machado em 2012 e recebeu uma bolsa de estudos no valor de R$ 60 mil, valor que será usado para bancar as despesas. “É um valor que vai me ajudar muito lá. A bolsa veio em uma hora certa, porque com este dinheiro poderia estudar mais tranquilo lá”, diz. O percussionista embarca para Paris em agosto, após sua última apresentação com a Orquestra Jovem do Estado, que vai ocorrer em um festival na Alemanha.