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Polícia investiga morte de menino por 3 anos e desmente versão que citava ´acidente com pula-pula´ após laudo apontar sinais de maus-tratos

Polícia investiga morte de menino por 3 anos e desmente versão que citava ´acidente com pula-pula´ após laudo apontar sinais de maus-tratos
02.07.2026     Fonte: G1

Uma investigação da Polícia Civil de Votuporanga (SP) apontou uma reviravolta na causa da morte de Nicolas Souza Prado, de 6 anos, após sua festa de aniversário no dia 9 de outubro de 2023, em um buffet infantil. Inicialmente registrado como um acidente em um brinquedo pula-pula, o inquérito concluído no dia 30 de junho revelou que o menino tinha sinais de agressões em série.

O g1 teve acesso com exclusividade ao relatório final do inquérito, concluído pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG), nesta quinta-feira (2). Conforme o documento enviado ao Ministério Público, a versão contada na época pela família é incompatível com a gravidade e a quantidade de lesões identificadas no corpo da criança pelos médicos e peritos criminais.

Nicolas vivia com a mãe e o padrasto, que são os principais suspeitos do crime e respondem ao processo em liberdade.

Após a queda, Nicolas foi levado pela mãe a um hospital particular, onde os médicos constataram uma lesão no braço direito. Medicado, ele recebeu alta no mesmo dia. Dois dias depois, em 10 de outubro, voltou à unidade com febre, foi novamente atendido e liberado.

No dia seguinte, diante da persistência das dores, o pai levou o menino novamente ao hospital. Exames de tomografia revelaram um quadro grave: quatro costelas fraturadas, outras duas trincadas, além de uma fratura no esterno (um osso plano e alongado localizado na parte central e anterior do tórax).

 

De acordo com os laudos, as lesões perfuraram um dos pulmões, provocando acúmulo de líquido na cavidade torácica. Nicolas passou por uma cirurgia para drenagem no dia 13 de outubro, mas o estado de saúde piorou nas horas seguintes. Após sofrer paradas cardiorrespiratórias, morreu no dia seguinte.

A necrópsia e o prontuário de atendimento, no entanto, desmontaram a farsa ao constatar:

O caso foi concluído e tipificado como maus-tratos qualificado, tendo a morte como resultado. Conforme apurado pela reportagem, o inquérito policial foi concluído sem o indiciamento de suspeitos para que o Ministério Público tenha autonomia para definir a tipificação penal do caso.

Ainda segundo apurado pela reportagem, a mãe e o padrasto permanecem sob suspeita porque a criança vivia sob a guarda deles. A investigação aponta que a criança tinha sinais de maus-tratos com resultado morte ou de um homicídio, e que a definição entre os dois crimes depende da análise do MP.

Os papéis foram repassados ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), que vai analisar o calhamaço de provas para oferecer a denúncia formal e levar o casal a julgamento perante o Tribunal do Júri.

Lesões agudas: fraturas recentes em quatro costelas, além de graves traumatismos no tórax e no braço esquerdo;

Sinais de maus-tratos: diversos hematomas e cicatrizes em diferentes estágios de evolução e cura espalhados pelo corpo, o que comprova espancamentos sucessivos ao longo do tempo;

Agonia: o menino suportou as dores internas e permaneceu internado sob cuidados intensivos por cinco dias antes de sofrer uma parada cardiorrespiratória e morrer.

Uma câmera de segurança registrou o menino andando pelo buffet após o acidente em um brinquedo pula-pula.

Denúncia por homicídio qualificado

O setor de investigações concluiu o caso após dois anos e oito meses de colheita de depoimentos de testemunhas, vizinhos e análise técnica do ambiente doméstico.

Para a Polícia Civil, ficou provado que os traumatismos que tiraram a vida do garoto foram provocados pelas agressões contínuas no ambiente familiar.

O caso foi concluído e tipificado como maus-tratos qualificado, tendo a morte como resultado. Conforme apurado pela reportagem, o inquérito policial foi concluído sem o indiciamento de suspeitos para que o Ministério Público tenha autonomia para definir a tipificação penal do caso.

Ainda segundo apurado pela reportagem, a mãe e o padrasto permanecem sob suspeita porque a criança vivia sob a guarda deles. A investigação aponta que a criança tinha sinais de maus-tratos com resultado morte ou de um homicídio, e que a definição entre os dois crimes depende da análise do MP.

Os papéis foram repassados ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), que vai analisar o calhamaço de provas para oferecer a denúncia formal e levar o casal a julgamento perante o Tribunal do Júri.