
A Polícia Civil abriu investigação para apurar se houve crime de maus-tratos durante a tentativa de remoção de 85 animais do Bosque Municipal de Araçatuba (SP). A transferência, que seria feita para um zoológico no Rio de Janeiro na terça-feira (16), foi suspensa por tempo indeterminado após protestos de moradores e ambientalistas.
Vídeos enviados por ativistas mostram os animais em caixas pequenas, onde permaneceriam por cerca de 12 horas de viagem. Em uma das imagens, um funcionário da empresa de transporte agarra uma ema pelo pescoço, cena que gerou indignação.
De acordo com a TV TEM, boletins de ocorrência foram registrados tanto pelos manifestantes quanto pela prefeitura. A Polícia Ambiental realizou vistoria e coleta de dados para avaliar as condutas dos funcionários.
Ema agarrada pelo pescoço
A Secretaria Municipal do Meio Ambiente justificou à TV TEM que, no bosque, não há espaço nem tratamento adequados para os animais e, por isso, a transferência era necessária.
Segundo a Secretaria do Meio Ambiente, o transporte em caixas é a maneira correta. O que foi contestado pelo grupo de manifestantes, uma vez que os jabutis, por exemplo, parecem apertados em espaços pequenos nas caixas.
No local onde há o bosque, a secretaria afirmou que há um projeto em andamento para a implantação de um Centro de Triagem e Recepção de Animais Silvestres (Cetras). Sobre o vídeo do tratador, a pasta não retornou até a última atualização desta reportagem.
As tratativas referentes ao manejo foram desenvolvidas desde o final de julho deste ano, com reuniões entre profissionais da Universidade Estadual Paulista (Unesp), veterinários do município, representantes do Grupo de Fauna (GFAu) do Estado e gestores municipais.
Em entrevista à TV TEM, o secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Marcelo Marques, explicou que a empresa responsável pelo manejo dos animais foi contratada pelo Parque das Aves Araras Azuis, responsável por receber esses bichos. Segundo ele, os profissionais têm experiência na área.
“A empresa veio com biólogo para analisar a forma de transporte. Com relação ao acondicionamento dos animais, estava sendo feito ainda o acondicionamento dos animais quando tivemos a presença das pessoas militantes da parte ambiental e que não deixaram prosseguir todo o processo. Então, talvez teríamos mais condições depois de verificar como eles iriam levar esses animais, mas uma coisa eu garanto: as caixas de transporte não podem ter o espaço maior do que o necessário, pois, no momento do transporte, o animal pode se movimentar e se machucar”, comentou.