logo
Banner

NOTÍCIAS

Home / Notícias / região noroeste

Mais de 30 toneladas de peixes mortos são retirados por piscicultores do Rio Tietê em Ubarana

Mais de 30 toneladas de peixes mortos são retirados por piscicultores do Rio Tietê em Ubarana
21.03.2025     Fonte: G1

Mais de 30 toneladas de peixes mortos estão sendo retirados por piscicultores do Ribeirão Fartura, que é um braço do Rio Tietê, em Ubarana (SP). A mortandade começou na terça-feira (18), com a mudança na cor do rio, por falta de oxigênio.

Dois piscicultores de tilápia, um com 28 tanques de aproximadamente 25 toneladas de peixes, e outro com 11 tanques com oito toneladas da mesma espécie de peixe, tiveram que descartar a produção.

Inclusive, na sexta-feira (14), a prefeitura emitiu um alerta para turistas evitarem entrar na água, classificada como imprópria para banho.

Segundo apurado pela TV TEM, os peixes estão sendo retirados aos poucos de dentro dos tanques-rede, com dois passaguás, desde quinta-feira (20), e, depois, são descartados em um aterro, às margens do rio.

Somadas, as perdas dos piscicultores chegam a R$ 1 milhão, conforme eles. Por isso, os pescadores temem o desemprego, em especial durante a quaresma, período em que a venda dos pescados aumenta devido à dieta restrita de carnes vermelhas dos católicos.

Em nota, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) disse que realizou inspeções no Rio Tietê para monitorar a qualidade da água e fiscalizar possíveis fontes de poluição, após a constatação de mortandade de peixes. Amostras foram coletadas e encaminhadas para análise.

Responsável pelo monitoramento, licenciamento e fiscalização ambiental, a Cetesb tem intensificado as ações onde há avanço da eutrofização.

Entre 2021 e 2025, foram realizadas 926 inspeções na região, com aplicação de 80 penalidades a empreendimentos que descumpriram normas ambientais.

Falta de oxigênio

Desde o começo do ano, a coloração da água do Rio Tietê e do Rio Grande vem sendo questionada. Em diversos momentos, ela fica bem densa e esverdeada. Além da cor, o cheiro incomoda bastante os pescadores da região.

Segundo a Cetesb, o que se observa é o fenômeno de reprodução de algas que, em quantidade suficiente, pode provocar o esverdeamento da água do rio.

De acordo com a professora de química e ciências biológicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Maria Stela Castilho, as plantas aquáticas invadem o rio por se reproduzirem de forma rápida devido ao aumento de nutrientes, que servem de “alimento” para elas.

Esses nutrientes são provenientes, conforme ela explicou, do esgoto doméstico ou industrial, vinhaça - resíduo da destilação do caldo de cana-de-açúcar -, e de fertilizantes aplicados nas lavouras.

Os aguapés afetam o oxigênio das águas e criam condições inadequadas para os peixes, o que pode causar a mortandade destes animais. A proliferação intensa dificulta também a navegação.